Os inocentes continuam sem saber de nada

            O bordão “sabe de nada, inocente” fez renascer das cinzas um personagem conhecido daqueles que tem seus trinta anos ou mais: Compadre Washington, misto de cantor e mestre de cerimônias do grupo de axé É o Tchan – top da lista de subcelebridades dos anos 1990 – andava sumido da mídia desde que as valeskas e anittas substituíram as sheilas e carlas nos programas dominicais e festas infantis.

Compadre Washington recuperou sua meia dúzia de minutos de fama (pois mesmo com muito otimismo, creio que nem Andy Warhol apostaria que a situação chegasse aos quinze minutos míticos) ao protagonizar uma peça publicitária da empresa BomNegócio.com, na qual lançou o bordão que recheou de conversas em almoços de família a memes de Game of Thrones. A peça mostra um casal e uma criança banhando-se em uma piscina. Quando a moça desce a escada para entrar na água, surge a cabeça de Compadre Washington em um rádio notoriamente antiquado (o velho e bom “três em um”, com rádio, fita cassete e CD, a cara da ultramodernidade tecnológica duas décadas antes de tocadores de MP3 e seus sucessores tornarem o aparelho um trambolho jurássico) e começa a proferir frases típicas das músicas que fizeram o sucesso das dançarinas de shorts curtos e apertados que se chacoalhavam ao som de canções e coreografias de duplo sentido: “eita, mainha! Danada! Que abundância, meu irmão!” A destinatária dos “galanteios” olha incrédula e incomodada. Prossegue Compadre para o marido da moça: “esse aí que é seu marido, é?” E a frase celebrizada: “sabe de nada, inocente!”. A peça se encerra com um corte súbito na fala de Compadre Washington, que enquanto diz “vem! Vem, ordi…” desaparece, e o marido-inocente explica, mostrando a tela do site da empresa anunciada: “Fiz um bom negócio!”.

Para quem ainda não viu, aproveite enquanto o vídeo continua disponível na internet:

Continuar lendo

Anúncios

Fundação Abrinq: Caderno Legislativo da Criança e do Adolescente

Nesta última terça-feira (13/05), a Fundação Abrinq lançou em São Paulo seu Caderno Legislativo de 2014, em que a organização analisa proposições de lei relativas aos direitos da criança e do adolescente que estejam atualmente em tramitação. E o Deu na TV teve o prazer de colaborar com o material, com algumas considerações sobre o Estatuto do Nascituro publicadas aqui.

Acesse e conheça os debates atuais sobre infância e juventude no Brasil!

Caderno_Legislativo

 

Linchando os linchadores na Terra de Cegos e Desdentados

Olho por olho, dente por dente.

A frase que escolhi para inaugurar este artigo (prometi aqui no artigo sobre linchamento de estupradores falar sobre o assunto dos linchamentos), resume a conhecida lei de talião e costuma ser proferida em situações nas quais a revolta suscitada por um crime faz brotar a vontade de fazer o criminoso sofrer o máximo possível.

É interessante a distorção de sentido sofrida pela assertiva “olho por olho, dente por dente”: ao contrário do sentido de vendeta cruenta que se lhe dá hoje, seu surgimento em registros de documentos jurídicos da Antiguidade (como o Código de Hamurabi na Babilônia, a Lei das XII Tábuas em Roma e o Êxodo na Hebreia) representa uma das primeiras tentativas de humanização e proporcionalidade da pena. Em outras palavras, significava limitar a vingança da vítima contra o criminoso a, no máximo, o bem que havia sido violado. Assim, se o filho de alguém era assassinado, esse alguém poderia, no máximo, matar o filho do assassino – e não dizimar sua tribo inteira, como até então se fazia. Por isso, por um olho, que se destruísse apenas um olho. Por um dente, que se destruísse apenas um dente.

Porém, já desde há muito, pedir um olho por um olho, e um dente por um dente passou a significar pedir uma punição severa. Tão severa que a frase ganhou uma réplica: “olho por olho, dente por dente, e acabaremos todos cegos e desdentados”. E os linchamentos noticiados nas últimas semanas parecem nos conduzir para esta realidade, a não ser que optemos por parar para pensar. Continuar lendo

Participação em cursos e eventos

Olá!

Aqui você encontra registros de imagens de algumas de minhas participações em cursos e eventos.

Em breve, trechos em vídeo estarão disponíveis.

Curso: Noções de Direitos Humanos – introdução e conceitos básicos.

Instituto do Legislativo Paulista (Assembleia Legislativa – SP), outubro de 2014.

final 3 (Medium)

Encerramento do curso Noções de Direitos Humanos.

DSC05035 (Medium)

Curso Noções de Direitos Humanos, aula 1 – Direitos Humanos: você sabe o que é?

aula 3 slides distinções termin (Medium) (1)

Curso Noções de Direitos Humanos, aula 3 – Direitos Humanos das minorias políticas.

aula 2 slide joana darc (Medium)

Curso Noções de Direitos Humanos, aula 2 – Direitos Humanos: é direito de bandido?

aula 2 cole retrato (Medium)

Curso Noções de Direitos Humanos, aula 2 – Direitos Humanos: é direito de bandido?

 

turma junho 2014_n

Turma do curso Mídia e Direito – edição 2014, ministrada por mim e pela professora Carmen Sílvia Fullin como Curso de Férias – Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo.

Evento realizado pela Delegada Rosely Molina, da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul.

Comemoração ao Dia Internacional da Mulher – Evento realizado pela Delegada Rosely Molina, da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul. Março de 2014.

Comemoração ao Dia Internacional da Mulher - Evento realizado pela Delegada Rosely Molina, da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul. Março de 2014.

Comemoração ao Dia Internacional da Mulher – Evento realizado pela Delegada Rosely Molina, da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul. Março de 2014.

Aula no Instituto Legislativo Paulista: "O que são Direitos Humanos das Mulheres? - Parte 1." Abril de 2014.

Aula no Instituto Legislativo Paulista: “O que são Direitos Humanos das Mulheres? – Parte 1.” Abril de 2014.

Aula no Instituto Legislativo Paulista: "O que são Direitos Humanos das Mulheres? - Parte 2." Abril de 2014.

Aula no Instituto Legislativo Paulista: “O que são Direitos Humanos das Mulheres? – Parte 2.” Abril de 2014.

Aula ministrada no projeto Promotoras Legais Populares: "As mulheres e a Constituinte de 1988". Março de 2014.

Aula ministrada no projeto Promotoras Legais Populares: “As mulheres e a Constituinte de 1988”. Março de 2014.

Não adianta tratar como se fosse assaltante de rua

* análise sobre as estatísticas dos casos de violência contra a mulher, publicada na versão on line do jornal o Estado de São Paulo, em 26 de setembro de 2013. Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,nao-adianta-tratar-como-se-fosse-assaltante-de-rua,1078880,0.htm

 

A pesquisa trouxe o resultado esperado. Enquanto existir um modelo punitivo, não haverá prevenção. E a punição ocorre quando a mulher já foi vítima do crime. A lei tem sua importância, mas não a usamos na totalidade, como campanhas contra a violência, mudança na educação da população e atendimento multidisciplinar.

O único caminho é a delegacia da mulher. E não é um crime comum, acontece entre pessoas que tem um relacionamento. Não adianta querer tratar como se fosse um assaltante de rua. O positivo é que a lei trouxe o assunto para a opinião pública. Hoje a violência contra a mulher é considerada uma violação de direitos humanos, e o Brasil tem um compromisso assumido.